Programação

Confira a programação do festival. Clique nas atrações para adicioná-las à sua agenda do Google.

Não foram encontradas atrações para os próximos dias.

Arraste a página para a direita ou para a esquerda e visualize a exposição. Clicando na imagem você poderá ampliá-la ou assistir aos vídeos.

Na deriva da linha ou o mistério que salta

De Clarice Panadés

Disponível durante toda a programação de 24 a 30 de setembro
Qualquer horário

“Na deriva da linha ou o mistério que salta” é uma exposição que segue os passos da trama entre as artes visuais e o circo. Os mais de 20 anos de experiência circense e toda a construção de corpos e encantamentos sedimentaram uma estrutura de criação, ou uma escuta do mundo, com a qual materializo o risco que salta para o papel, vídeos e performances.

Aprendi no picadeiro a construir um corpo que salta ao normal a partir do rigor técnico com a abertura ao lúdico, circuitos de exercício, cuidado com a nutrição, brincar com a ilusão, o risco, a ideia de acontecimento, a presença extasiante do momento de estar em cena e a deriva pelo mundo.

No desenho, posso experimentar o erro como um modo de ir, para além do controle fundamental deste tipo de acontecimento no circo, que pode ocasionar lesões, na proximidade latente com a morte. Vem daí a urgência de viver, e de fazer desse movimento uma prática de vida, para além da produção de imagens: não se fixar a formas, lugares ou pensamentos.

Nas séries de desenhos e vídeos há gestos do ato de jogar malabares: busco tanto a questão da simetria técnica em que se exercita a habilidade manipular objetos, tanto com a mão direita quanto com a esquerda, mas também a rearticulação de um corpo, que executa movimentos impossíveis e parece ter mais mãos do que o normal. É como se nascessem braços e pernas a mais para tantos objetos no ar.

Os vídeos são edições quase “manuais”, feitas a partir de filmagem da tela com outros vídeos, com performances que executo para a câmera. Manipulo a imagem no desejo de fazer os objetos animados, que saltam, retornam, ciclicamente, em tempos inesperados e irreais como no jogo circense da ilusão que brinca com a gravidade.

“Sigo no elogio à vitalidade do corpo, na deriva do movimento desse mistério que nos leva a todos”.

Clarice Panadés – março de 2021

 

Sobre Clarice Panadés

Clarice Panadés é artista circense há mais de 20 anos, formada na Spasso Escola Popular de Circo em 2008, e integra o Coletivo Na Esquina. Pesquisou

performance e escrita no Risco em Dança, no c.e.m (centro em movimento) em 2018, em Lisboa, Portugal. Estuda desenho na Escola de Belas Artes da UFMG.

A deriva artística começou com o circo, na prática diária de atividades corporais, manipulação de objetos, equilíbrio invertido da parada-de-mãos e o exercício da presença na cena. A coluna vertebral desse processo artístico é o movimento e o que move é a busca do mistério, e o desejo de mantê-lo assim, sem ser compreendido. O desenho surge como um vestígio do movimento no mundo, no desejo de revelar o invisível do gesto. Não importa a técnica a ser utilizada – vídeo, caneta, tinta, palavra escrita – mas o modo como a tradução do acontecimento acrescenta algo ao instante. A passagem faz o sentido do traço e realiza os deslizes e desvios visuais do desenho. Ele não esconde, mas dá de presente o mistério contido nas coisas.